
Rob Liefeld é um cara polêmico.
Ele explodiu no ramo dos quadrinhos quando tinha apenas 20 anos, graças a seu estilo “peculiar”. Da DC (onde desenhava Rapina & Columba) foi para Marvel, onde se firmou em Novos Mutantes, criou a X-Force, Cable e Deadpool e dali saiu para fundar a editora Image, junto com seus outros parceiros superstars, como Todd McFarlane, Jim Lee e Erik Larsen, entre outros, e lá criou o Youngblood (uma chupação de X-Men).
Em 1996 veio Heróis Renascem, uma bela de uma lambança da Marvel. Um daqueles mega-eventos desmiolados que teoricamente servem para atrair leitores. E encabeçando o projeto estavam justamente Jim Lee e Liefeld.
Lee ficou a cargo de Quarteto Fantástico e Homem de Ferro, e, se não eram obra-primas, pelo menos não comprometeu. Já Liefeld, a cargo do Capitão América e dos Vingadores, só recebeu críticas e mais críticas, tanto pelo atraso em entregar o material, quanto pelo roteiro e arte sofríveis (anatomia exageradamente absurda, falta de cenários de fundo, etc), como também não cumpriu a meta de vendas. Saiu do projeto, e Lee ficou responsável pelos quatro títulos.
Daí foi só ladeira abaixo. Expulsão da Image, processos judiciais, acusações de plágio, atrasos, cancelamentos de títulos de seu próprio estúdio e a multiplicação exponencial dos críticos de seu trabalho (ou da falta dele). O que antes era tido como “estilo peculiar”, transformou-se em pecado capital aos olhos dos fãs de quadrinhos. Criou-se uma máxima não-oficial: se você não tem nada de ruim a dizer sobre Rob Liefeld, provavelmente não entende nada de HQs.
Pois bem. Durante a recém encerrada WizardWorld Chicago, um rapaz chamado Ryan Coons resolveu assumir o papel de “porta-voz do povo” e foi falar diretamente com Rob, que desenhava tranquilamente em sua mesa de convidado.
“Meu nome Ryan Coons”, disse o rapaz conforme relata em seu blog. “Sou um grande fã do Capitão América e exigo desculpas por Heróis Renascem”. Liefeld deu um sorriso sem graça, soltou um “Prazer em conhecê-lo” e ignorou o cara.
Ryan, sem se dar por vencido, comprou uma cópia de um famoso manual para quadrinhistas – How to Draw Comics the Marvel Way (Como Desenhar Quadrinhos no Método Marvel), de Stan Lee e John Buscema – escreveu uma dedicatória e deixou o “presente” em cima da mesa do artista, dentro de uma sacola. Liefeld, obviamente, não ficou muito feliz, mas Ryan já não estava mais por perto.
Enquanto a atitude do rapaz foi louvada por muitos fanboys anônimos em fóruns e blogs pelo mundo virtual afora, a comunidade artistica não gostou muito da idéia. Para outros artistas e roteiristas, o ato foi um desrespeito completamente desnecessário. Alguns deles deixaram suas opiniões endereçados a Ryan no Bleeding Cool.
“Não conheço Rob pessoalmente e não me importo nem um pouco com seu trabalho. E o que aconteceu não tem nada a ver com o trabalho de Rob; tem a ver com a educação e o respeito que QUALQUER UM deve ter com pessoas que não conhece. Tem a ver também com sua falta de habilidade em separar as histórias em quadrinhos e as pessoas do mundo real. Resumindo: vê se cresce”, declarou o roteirista Ron Marz (Lanterna Verde, Surfista Prateado).
O desenhista Ethan Van Sciver (New X-Men, Flash) também deu seu recado: “Parabéns. Somos todos alvos fáceis deste tipo de atitude estúpida, atrasando nossos trabalhos por alguns dias para cumprimentar os fãs ao invés de tirar férias com a família. Portanto, se você pretende ser horrivel e infantilmente rude com qualquer um de nós, vai ver que não é difícil, já que todos nós continuaremos sendo educados para não estragar a diversão dos VERDADEIROS fãs”.
Nota pessoal: Também não sou fã do seu trabalho (alguém já viu o “Capeitão” América dele?), mas concordo com Van Sciver. O cara tava lá pra encontrar os fãs (se é que existem), podia tá curtindo com a família e amigos, mas teve tempo em sua agenda pra isso. Não gosta, não compra!
Cliquem aqui para uma amostra do “trabalho” do homem, o seu “Capeitão” América (cuidado, vocês podem vomitar).
Fonte: MTV
Tourinho desenha pior que Rob Liefeld.










